Nave, ninho, poço, mata, luz,
abismo, plástico, metal,
espinho, gota, pedra, lata.
Passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e [...]
Arquivos para a Categoria ‘Caio Fernando Abreu’
Na terra do coração – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Julho 1, 2009 | Leave a Comment »
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Maio 12, 2009 | Leave a Comment »
Escuta aqui, cara, tua dor não me importa. Estou cagando montes pras tuas memórias, pras tuas culpas, pras tuas saudades… Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a sua dor pessoal, esse seu ovo mesquinho e fechado.
“Ovelhas Negras” – Lixo e purpurina – p 117
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Maio 5, 2009 | Leave a Comment »
Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor [...]
Para uma avenca partindo – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Maio 5, 2009 | 4 Comentários »
Para uma avenca partindo
Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito [...]
Aqueles dois (História de aparente mediocridade e repressão) – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Abril 26, 2009 | Leave a Comment »
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como “um deserto de almas”. O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista [...]
Além do ponto – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Abril 26, 2009 | Leave a Comment »
Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão [...]
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Março 25, 2008 | Leave a Comment »
Chorei três horas, depois dormi dois dias.
Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, [...]
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Março 25, 2008 | Leave a Comment »
…(Silêncio)
-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e [...]
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Posted in Caio Fernando Abreu on Março 24, 2008 | 1 Comentário »
Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.
“Ovelhas Negras” – Lixo e purpurina – p 117